sexta-feira, 2 de março de 2007

O Modelo Evolutivo

O modelo evolutivo descreve um processo na qual o software deve ser desenvolvido de forma a evoluir a partir de protótipos iniciais. Para entender melhor este modelo é importante entender o que é prototipação (ou prototipagem).

Prototipação é uma abordagem baseada numa visão evolutiva do desenvolvimento de software, afetando o processo como um todo. Esta abordagem envolve a produção de versões iniciais - "protótipos" - de um sistema futuro com o qual pode-se realizar verificações e experimentações para se avaliar algumas de suas qualidades antes que o sistema venha realmente a ser construído.

Objetivos da Prototipação

Num projeto de software várias questões podem ser respondida com a construcão de protótipos. Nas situações típicas de desenvolvimento podemos distinguir entre diferentes objetivos na prototipação:
  • Exploratória - é quando o protótipo é usado para ajudar a esclarecer requisitos dos usuários com respeito ao sistema futuro. Uma prototipação também é exploratória quando se busca examinar uma variedade de opções de design de maneira a evitar a escolha de uma abordagem específica não adequada. Com esses objetivos os desenvolvedores adquirem informações sobre o domínio, os usuário e tarefas. Os usuários podem emitir informações e sugestões mais precisas, tornando-se parceiro das decisões que envolvem o desenvolvimento.
  • Experimental - é quando a prototipação foca aspectos técnicos do desenvolvimento, oferecendo aos desenvolvedores resultados experimentais para tomada de decisões de design e implementação. Um aspecto essencial é a viabilização de uma base de comunicação entre os usuários e desenvolvedores para soluções de problemas técnicos de viabilidade e usabilidade, dentre outros. As principais vantagens para os desenvolvedores são a verificação e validação das decisões tomadas e soluções apresentadas.
  • Evolutiva - A prototipação pode ser aplicada de maneira bastante proveitosa num processo de reengenharia em organizações, para avaliar o impacto que a introdução de novas tecnologias pode trazer. Nesse caso o protótipo não é visto apenas como uma ferramenta em projetos individuais, mas como parte de um processo contínuo de evolução dos processos organizacionais. Os desenvolvedores não são mais os protagonistas da prototipação, mas consultores que trabalham em cooperação com os usuários no processo de reengenharia.

Tipos de Protótipos

O relacionamento entre um protótipo e as atividades do processo de desenvolvimento - início do projeto e análise de requisitos, design da interface e da aplicação, e implementação - permite a identificação de quatro tipos de protótipos:
  • Protótipo de Apresentação - oferece suporte ao início do projeto e é usado para convencer o cliente de que o futuro sistema é viável e que a interface do usuário se adequa aos requisitos. Na maioria dos casos é usado para mostrar visão que o usuário têm do sistema e revelar aspectos importantes da interface.
  • Protótipo Autêntico - é um sistema de software provisório e funcional, geralmente projetado para ilustrar aspectos específicos da interface de usuários ou parte da funcionalidade, ajudando na compreensão dos problemas envolvidos.
  • Protótipo Funcional -- é derivado do modelo do domínio do problema ou da especificação do software e serve para ajudar à equipe de desenvolvimento compreender questões relacionadas com a construção do sistema. Esse protótipo não interessa aos usuários.
  • Sistema Piloto - é usado não apenas com propósitos ilustrativos, mas como um núcleo básico operacional do sistema. Esse sistema deve ser instalado no ambiente de aplicação e experimentado com os usuários.
O fluxo de atividades do modelo evolutivo caracteriza-se por ser cíclico ou iterativo. Ele começa com o design e desenvolvimento de um protótipo inicial, que deve ser mostrado aos usuários e avaliado. Durante a avaliação novos requisitos são definidos e alterações e incrementos ao protótipo inicial devem ser feitas. Este ciclo deve ser repetido em direção ao produto final.

A grande vantagem deste modelo está em permitir a verificação antecipada do produto final por engenheiros, clientes e usuários, permitindo a correção dos problemas detectados.

A extrema flexibilidade deste modelo e a sua falta de rigor leva a software que embora satisfaça aos requisitos dos usuários têm deficiências de desempenho, portabilidade, manutenção e outras qualidades internas.

Embora a prototipação tenha enormes vantagens e deva ser incentivada, basear o desenvolvimento no incremento de protótipos pode levar a software mal documentados e com arquiteturas mal definidas. Como os requisitos estão sempre sendo revistos a cada ciclo de desenvolvimento, torna-se praticamente impossível estimar custos e prazos e planejar as atividades de desenvolvimento.

Leituras recomendadas:

  1. Alan M. Davis: Operational Prototyping: A new Development Approach. IEEE Software, September 1992. Page 71.
  2. John Crinnion: Evolutionary Systems Development, a practical guide to the use of prototyping within a structured systems methodology. Plenum Press, New York, 1991. Page 17.
  3. S. P. Overmyer: Revolutionary vs. Evolutionary Rapid Prototyping: Balancing Software Productivity and HCI Design Concerns. Center of Excellence in Command, Control, Communications and Intelligence (C3I), George Mason University, 4400 University Drive, Fairfax, Virginia.


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